Tendências do mercado imobiliário 2020 discutidas em conferência organizada pela CBRE - Imobusiness

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Tendências do mercado imobiliário 2020 discutidas em conferência organizada pela CBRE

Foi uma manhã de partilhas das novas tendências do imobiliário a nível nacional, europeu e global. Vários temas foram abordados, mas a conclusão foi só uma: o mercado imobiliário em português está saudável e recomenda-se.

O Capitólio recebeu no passado dia 30 de janeiro uma conferência intitulada “Tendências do Mercado Imobiliário 2020”, levada a cabo pela CBRE e que juntou os maiores especialistas, investidores e interessados em imobiliário num só espaço.

A sessão de abertura foi liderada por Francisco Horta e Costa, diretor desta empresa de serviços integrados, que apresentou alguns dados sobre o mercado imobiliário e do crescimento do mesmo entre 2018 e 2019.

Depois da abertura, foi a vez de René Bohnsack, professor na Católica Lisbon School of B&E, assumir o palco para falar dos novos modelos de negócio para smart cities. Uma das temáticas abordadas foi a nova abordagem de negócio, com a chegada da internet, das plataformas móveis, e do facto de um negócio já não ser tão linear como antigamente, onde uma empresa fornecia todos os serviços. Atualmente, cada serviço está alocado a um player diferente, havendo a oportunidade de criar novas economias.

O terceiro orador foi Jos Tromp, Head of Research da CBRE Continental Europe, que explicou a posição de Portugal no contexto europeu no que respeita ao imobiliário, deixando como principal conclusão que Portugal teve um ano recorde no que respeita ao imobiliário e onde os grandes players foram os Estados Unidos da América.

Antes do coffee break houve ainda espaço para um debate entre vários especialistas da equipa CBRE, que abordou o contexto português em diversos ramos do imobiliário, entre eles o de escritório, habitacional, de logística e retail, comércio de rua, e hotéis e acomodações, sejam estas seniores ou de estudantes. Discutiu-se também a nova tendência de habitação, o arrendamento, e ainda das perspectivas do design e marketing dentro destes modelos.

As dicotomias entre as cidades do Porto e Lisboa estiveram em destaque, ressalvando-se o facto de ambas estarem em crescimento, bem como nas mudanças que as novas gerações podem ter nestas alterações e ainda da expansão para zonas limítrofes das duas maiores cidades portuguesas.

Outro dos pontos em concordância foi o facto de haver um grande desequilíbrio entre procura e oferta e ainda as novas tendências de habitação, onde as construções para arrendamento vão ser diferentes em relação ao imobiliário residencial para venda, desde o seu tamanho, visto que poderão ser mais pequenas, mas ao mesmo tempo mais tecnológicas.

Na segunda parte da conferência, Marie Hunt subiu ao palco para falar da evolução do mercado de investimento multifamiliar. Visto que a sociedade e a economia estão em constante mudança e nem sempre é possível acompanhar estes mercados mais voláteis, na Europa assiste-se cada vez mais a uma aposta no arrendamento, algo que o mercado imobiliário tem vindo a acompanhar também.

Por fim, Miguel Gonçalves, CEO da Spark Agency, falou dos trabalhadores da nova geração. Explicou o que eles procuram numa empresa, quais são os motivos que os prendem a certo tipo de trabalho e como atrair novos talentos para novas equipas.

No final da conferência, Francisco Horta e Costa falou à comunicação social e referiu que o “mercado imobiliário em 2020 vai assistir ao arranque da promoção imobiliária nos diversos setores.”

“Vamos assistir ao começo de alguns projetos de habitação de alguma escala em zonas menos centrais das principais cidades que vão ser destinadas para a classe média portuguesa. Estamos a falar de zonas limítrofes das cidades, mas ao mesmo tempo também da grande área metropolitana”, explicou o diretor da CBRE, que falou também do facto de começarem a existir “alguns projetos de habitação para arrendamento”, sendo essa a grande novidade do setor do imobiliário.

Como maiores desafios, Francisco Horta e Costa identificou os “licenciamentos dos projetos”: “É essencial fazer com o que o processo de licenciamento dos projetos – não só de habitação, como de escritórios – seja ser melhorado e rápido, porque só estimulando a oferta vamos conseguir ter um mercado de preços mais nivelados, onde é possível comprar habitação a preços mais elevados em zonas melhores e preços mais acessíveis em zonas mais longe dos principais centros.”

As smart cities também têm um papel importante na retirada de pressão destes centros geográficos, referiu Francisco Horta e Costa: “Quando a tecnologia 5G estiver a funcionar em pleno, vamos otimizar toda a mobilidade da cidade, e também precisamos de mais infraestruturas. Lisboa precisa de mais uma travessia de uma travessia do Tejo, se é em ponte ou em túnel já veremos e isso seria a cereja no topo do bolo para o desenvolvimento da margem sul.”